domingo, 11 de março de 2012

Atemporal

Eu poderia estar em qualquer lugar
Mas deixei os outros que quis deixar
Poder de prever que nunca tive
Em nenhum de nenhum lugar

Poderia até repousar
Sob a árvore, o corvo, nuvem, luar
Mas pensei que aqui seria mais triste
Sem ninguém pra me acompanhar.

E de pedra em pedra a pular
Pensei nos répteis, em minha falta de habilidade
na tradução dos estalos de cada salto

(E diziam)
Que poderiam sim estar em qualquer outro lugar.


xx
8-3-2012

domingo, 25 de dezembro de 2011

Momentâneo

Agonia de estar em seus braços
Confortável celebrar
Sobre teu peito a ilusão infinita
Alegria de talvez estar

Como haveria de ser, e é
Sonho de dois minutos
Ergueu-me da ponta do pé
O corpo limpo e enxuto

Curvado aos pés de Minerva,
Meu grito ressurge mudo
Cantiga de paz que enerva;
Remove o temor de tudo

[...]

Abre minhas asas desnudo
Mudo desejo e sorriso
Antes de saber teu nome
Atiro e erro, impreciso.

[...]

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pintura

Scandiante Fus Fe
Como fostes?
Se por bem não livre
Contágio

Amniótico Sabia
Antes de nascer
Aonde foi destruída
sua identidade.

Empório linfático
de tornar evidente
e sujar de paixão

Uma pequena imagem
Ontem
Celebrando a cor.

9-11-(2011)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Leveza

O tempo corre
Estala em compassos
de gotas calibradas.

Propõe o sino
O momento certo de entrar
Há quem não o atenda - hesitante
Promulga o direito a julgar

O vento está furioso - e não é sempre
Como em todas as originalidades latentes,
Deu a ignição, contente
Dever de um dia acordar.

Pontuações badalam síncopes
Em nossos corações (engolidos)
A tragédia de existir pequeno
À luz do espaço infinito.

O tempo corre - denso:
É o que me faz lamentar...
O som da morte outra vez
Assombra o meu caminhar.

x
8-11-(2011)

A Vela

O céu adquire tons de lilás quando passo
No limiar do sonho
O sol equilibra e é cristalino
Cheiro alegre de aço.

Irmãs, levantem-se, há
Corpo novo para carregar
Todo céu que cai é pequeno
Firmamento cansou de firmar.

Luz acende, trêmula, é de vela
Parafina, lenta, despertar.

x
8-11-(2011)

domingo, 18 de setembro de 2011

A Despedida

Eu que sempre pensei haver alguém
Estou refém de um sentimento
Pra nunca mais falar de amor, também
Agora que ele se vai lento

Temo a falta de um amor mais que a morte
Não haverá de vir se não por sorte
O sol pra mim, a opaca lua
A agulha que me aponta ao norte

Pra eu suportar toda a mágoa que seu cheiro me traz
E os receios de ter que andar pra trás
Quando eu tinha no seu sorriso a certeza de um passo

Não é erro pra mim desejar
Mas é vício, eu não posso negar

E é cruel demais esse amar.

19-09-2011

Meu Samba de Olhos Vermelhos

Eu me enfeito --- que eu sou feito de ser
Eu me enfeito pra você, pra você, pra você
Eu me enfeito, é que eu sou todo feito de ser
E eu me deito por você, por você, por você

Eu acordo e esqueço dos casais
Não suporto morrer para nunca mais
Estou à beira de um colapso natural
Destruindo no amor meu sentimental

Foi um dia, um dia em que a chuva caiu
Sobre nós, sobre nós
E eu poderia trocar a vida pelos teus lençóis
Nesse dia, nesse dia em que a chuva caiu

Corto em lágrimas cada recordação
Dor que só faz latejar
O sol que brilha mais que antes brilhava
É brasa ardendo no meu caminhar

Eu me enfeito pra você, pra você, pra você
E agora para quê que eu hei de viver?
Eu me enfeito que é meu jeito perfeito de ser
Por você, pra você e com você.

19-09-2011